Esta é uma tradução do texto original em persa. Texto original em persa

بسم‌الله الرّحمن الرّحیم
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso

وَ لَقَدْ اَرسَلنْا موسی بِایاتِنا اَنْ اَخرِجْ قَومَکَ مِنَ الظُّلُماتِ اِلی‌ النّورِ وَ ذَکِّرْهُم بِاَیّامِ الله
E, com efeito, enviamos Moisés com Nossos sinais, dizendo: "Faze sair teu povo das trevas para a luz e lembra-lhes os Dias de Deus". (Alcorão, Ibrahim 14:5)

Os primeiros dias do mês de Mehr recordam os Dias de Deus e o fenômeno grandioso e perene da defesa abnegada de oito anos da nação iraniana na primeira guerra imposta. Naqueles dias, o brilho caloroso do sol da Revolução em toda a extensão da terra do Irã irradiava um sentimento agradável de solidariedade nacional e de fidelidade à escola e aos ideais do Islã revolucionário, sob cujo efeito os gelos da dominação e do colonialismo antigo e moderno estavam se derretendo. Naqueles dias, alguns iranianos ainda guardavam na memória as lembranças de vinte e poucos anos antes: a malevolência dos colonizadores, os acontecimentos relacionados com a nacionalização da indústria do petróleo e o golpe norte-americano. Outros tinham ouvido falar deles, e muitos haviam sentido bem de perto a realidade daquilo que a dominação estrangeira sobre os assuntos de nosso país lhe havia causado. Mas os dias anteriores foram dias sombrios e obscuros, em que os embaixadores dos governos arrogantes comunicavam ao xá do país o que devia e o que não devia ser feito, e ele, de bom grado ou a contragosto, executava essas ordens, até que a grandiosa Revolução da nação iraniana, sob a liderança do Imam Khomeini, desfez aquela ordem. Aqueles dias sombrios, em consequência desta Revolução, desembocaram nos dias luminosos do estabelecimento da República Islâmica do Irã. Isso foi muito penoso para os dominadores que haviam lançado olhares cobiçosos sobre as riquezas desta terra e que, durante anos, para delas se apropriarem, haviam cometido toda sorte de males contra o seu povo. Por isso, a partir de então, empenharam todo o seu esforço para fazer retornar ao rumo anterior a corrente do rio caudaloso da nação revolucionária, e a primeira guerra imposta foi a sua iniciativa mais importante na primeira década da vida abençoada da República Islâmica.

Do coração do fogo daquela guerra, que fora ateado pelo antipopular partido Baath com a ilusão de uma guerra de poucos dias e de uma vitória obtida com pouco esforço, o sistema islâmico, mais vigoroso e mais forte do que antes, ergueu-se como a fênix, com uma voz mais retumbante e um voo mais alto do que antes; e esta se tornou uma característica permanente deste sistema nos acontecimentos posteriores fabricados pelo inimigo.

Aqueles dias em que o inimigo desta nação havia imposto seus servidores sobre ela e aplicava uma nova forma de colonialismo transformaram-se, graças à Revolução e ao hasteamento da bandeira do Islã e do jihad no contexto da guerra imposta, em dias gloriosos, nos quais ainda hoje, passados 38 anos de seu término, da observação de cada um de seus acontecimentos e dos relatos sinceros dos que dele sobreviveram, surgem como estrelas brilhantes no cume da história de nosso país modelos exemplares, cada um dos quais é uma lição de adoração, coragem, resistência, moral e humanidade.

Aqueles dias em que, no início das agressões dos prolongamentos do sistema de dominação, nosso país havia herdado do regime do Taghut mãos vazias para se defender diante de muitas ameaças, chegaram agora, graças ao estabelecimento da verdade e ao auxílio divino, a dias em que os próprios dominadores agressores, e não os seus seguidores, buscam abrigo diante dos ataques dos combatentes do Islã e estendem a mão em súplica pelo fim da guerra.

Os dias aos quais eles gostariam de fazer o nosso país regressar eram dias repletos de atraso, humilhação e vileza, dependência e má reputação do Irã no mundo islâmico; e estes dias em que estamos estão repletos de progresso, dignidade, independência e do mais alto grau de prestígio no mundo islâmico e mesmo no mundo inteiro. Hoje, há quem nos considere a quarta superpotência do mundo. Naturalmente, dizem isso com base em cálculos mundanos; mas os cálculos divinos consideram a primeira potência do mundo o país que se considera pertencente à Família Pura do Profeta (que as bênçãos e a paz de Deus estejam sobre todos eles), cuja maior parte do povo é devotada a essas excelsas figuras e que não teme estabelecer a verdade.

Naqueles dias, os dois mares do sul do Irã eram o campo de manobras das forças inimigas, mas nestes dias, por causa dos golpes dolorosos que receberam dos bravos combatentes e dos guardiões do Estreito de Ormuz, eles não avançam além do Mar Arábico, e sempre que se arriscaram a fazê-lo, causaram dano a si mesmos; e não tardará que também o Mar Arábico se livre deles.

Houve dias em que os dominadores, por meio de operações psicológicas e da criação de um clima de terror, esvaziaram as ruas da capital, desencadearam um golpe contra a busca de independência desta nação e, em seguida, saquearam as riquezas deste país durante 25 anos; mas, nestes dias, há sete meses nossos compatriotas adornam as praças e as ruas de todo o país com sua presença responsável e entusiasmada, para que os corações dos combatentes do Islã se reconfortem e o inimigo mergulhe no temor. Assim como mais de 30 milhões de iranianos declararam sua disposição de sacrificar a vida, e quando, para fins de certa organização, se tratou de uma nova declaração de sua presença, apenas nos primeiros 100 minutos mais de quinhentas mil pessoas completaram a capacidade solicitada. Neste momento, em todo o Irã islâmico, adornado pela presença de iranianos de diversas etnias, há diversas declarações de prontidão, e em especial de prontidão armada, para construir um campo de batalha que lhes traga renome e, a seus inimigos, a ignomínia.

Houve dias em que a bravura dos habitantes desta terra era reconhecida em seus homens; mas agora estamos em dias em que as mulheres, em algumas arenas de presença corajosa, superam os homens.

Houve dias em que o inimigo tentara enfraquecer constantemente a retaguarda social do sistema, mas nestes dias as diversas camadas da sociedade, com suas diferenças evidentes, insistem na preservação de suas posições justas, entre elas a preservação do Estreito de Ormuz, repleto de bem e de bênçãos.

Esta comparação entre os dias passados e os dias atuais pode ainda ser ampliada e explicada, mas, numa palavra, eu, como servidor do querido povo do Irã, declaro que aqueles dias passados, aos quais o nosso inimigo anseia regressar, passaram e nunca mais se repetirão. E, naturalmente, devo recordar com dor e pesar que, nestes dias, faz muita falta a presença do Grande Khomeini e do grandioso mártir Khamenei (que Deus eleve as suas nobres posições), a cujas lideranças a dignidade atual do país é devedora. Mas, graças ao valioso tesouro que restou de sua conduta e de suas palavras luminosas e orientadoras para os seus seguidores, os dias futuros serão muito mais gloriosos do que estes. Pois aquela fênix que surgiu da fogueira da primeira guerra imposta tornou-se agora, em consequência das pressões do inimigo e, em especial, das duas recentes guerras impostas, tão grande que a sombra de seu voo recai também sobre as terras do inimigo.

Nesta ocasião, é muito oportuno, por ocasião do segundo aniversário do martírio do heroico comandante árabe e grande símbolo da Frente da Resistência, o excelso mártir Sua Eminência Seyyed Hassan Nasrallah (que Deus santifique a sua alma pura), recordar a sua figura. Alguém que foi um sincero benfeitor para o seu povo e para a sua escola, e cujos sermões sinceros e cheios de doçura e cujas ações corajosas fortaleciam os corações de seu povo e mesmo dos homens livres do mundo. Alguém que elevou à grandeza o nome do Líbano, um país pequeno que durante anos se tornara o quintal de algumas potências. Alguém de quem a vitória e a conquista eram companheiras constantes, e alguém de quem, sem dúvida, ao longo de toda a história do Levante até hoje, depois dos profetas e de seus sucessores, nenhum homem de sua grandeza se levantara naquela antiga região. E, naturalmente, agora a sua bandeira gloriosa está nas mãos de Sua Eminência o Xeique Naim Qassem (que Deus o proteja), que, corajosamente, à frente das fileiras firmes e inspiradas em Ashura do Hezbollah, continua o seu caminho.

Estes dias do Líbano, perante a história e mesmo desde agora, são dias marcantes e gloriosos para ele e para todos os combatentes da resistência, e dias de humilhação e, por fim, de vergonha para aqueles que, diante do inimigo sionista, depositaram suas esperanças nas promessas falsas dos dominadores e de seus malfeitores. Pessoas que, ao contrário do Seyyed mártir da resistência, de Seyyed Hashem Safieddine e dos atuais combatentes da resistência, que continuarão a brilhar ao longo do tempo como astros resplandecentes e serão guias dos que buscam o caminho perdidos na perplexidade, muito em breve, já no primeiro folhear das páginas da história, serão sepultadas e esquecidas, e sempre que no futuro se fizer menção a elas, evocarão a maldade, a imprudência e talvez até a traição.

Por fim, espero que, com a continuidade das graças divinas e a prece especial de nosso senhor (que Deus Altíssimo apresse o seu nobre reaparecimento, e que as nossas almas sejam sacrificadas por ele), a nação do Irã e todos os aliados da resistência não encontrem senão a vitória, a conquista e a dignidade, e seus inimigos não encontrem senão a derrota e a humilhação, pela graça e pela generosidade de Deus.

Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei
6 de Mehr de 1405