Esta é uma tradução do texto original em persa. Texto original em persa

بسم‌الله الرّحمن الرّحیم
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

مُحمّدٌ رَسولُ ‌الله وَالّذینَ مَعَهُ اَشِّداءُ عَلی الکُفّارِ رُحَماءُ بَیْنَهُم
Muhammad é o Mensageiro de Deus; e os que estão com ele são severos para com os incrédulos e misericordiosos entre si. (Alcorão, Al-Fath 48:29)

Felicito a nobre nação do Irã e a grande comunidade do Islã pelos dias do nascimento da abençoada pessoa do Astro Supremo, o mais nobre das criaturas, a Lâmpada Luminosa, o Eleito de Deus, a Cidade do Conhecimento, a Misericórdia para os mundos, o Nobre Mensageiro do Islã (que a paz e as bênçãos de Deus estejam com ele e sua família), e de seu filho puro e de natureza pura, a Prova Eloquente de Deus, o Imam Jafar al-Sadiq (que as bênçãos e a paz de Deus estejam com ele).

Desde o momento em que o sol da existência do Selo dos Profetas despontou na venerada Meca, a perspectiva da felicidade humana, que depende da perfeição da servidão e da obediência a Deus, Majestoso e Altíssimo, ganhou um novo brilho; as almas dos profetas, os anjos divinos e os seres santos mergulharam em júbilo, e os demônios dentre os homens e os gênios morderam os dedos de raiva, desgosto e tristeza. Pois a mais excelsa criatura de Deus em todos os inúmeros mundos da criação pisava o plano terreno e logo, revestido do manto da profecia e do selo profético, tendo em mãos o Grande Alcorão e a missão de orientação integral do ser humano, partiria para traçar a marcha da imensa caravana da humanidade rumo à servidão e ao aperfeiçoamento em direção a Deus. A vida dele e de seus sucessores imaculados é inteiramente lição de orientação e de servidão, lição de conhecimento e de amor, lição de crença e de luta, lição de vida e de bons costumes individuais e sociais, lição de lealdade e de sinceridade, lição de dignidade e de nobreza, lição de ciência e de ação, lição de misericórdia e de firmeza, lição de equidade e de justiça, e lição de unidade e de fraternidade. Quanto melhor essas lições forem aprendidas e praticadas, mais acessível se tornará aos filhos da humanidade alcançar os cumes da felicidade e da boa ventura. Cremos que a alma pura do Profeta da misericórdia, bem como as almas puras de seus sucessores e das Provas purificadas (que as bênçãos e a paz de Deus estejam com ele e com todos eles), estão sempre atentas, orientando e sendo bondosas para com a situação dos muçulmanos e da sociedade islâmica. Quando um erro parte dos filhos deste pai bondoso e magnânimo, seu ânimo se entristece, e sempre que os muçulmanos praticam suas lições e ordens, seu abençoado coração se alegra.

Agora, o Islã e seus seguidores, após atravessarem períodos difíceis e turbulentos e percorrerem inúmeros altos e baixos desde os primórdios até hoje, chegaram a uma etapa decisiva e determinante. Hoje, os muçulmanos podem desempenhar um papel muito eficaz e de alcance histórico. Hoje é o dia em que a perspectiva da vitória final da verdade sobre a falsidade, e do Islã sobre a incredulidade, aproximou-se da concretização muito mais do que em todas as épocas passadas.

A primeira condição para essa importante tarefa é a unidade de palavra dos muçulmanos. A unidade dos muçulmanos diante da incredulidade global é uma estratégia corânica e um ensinamento autêntico do Islã puro de Muhammad (que as bênçãos e a paz de Deus estejam com ele e sua família), e não uma questão superficial e passageira. O que se entende por unidade é que, no nível geral das sociedades islâmicas, os pontos comuns entre todos sejam tomados como eixo e princípio. Naturalmente, procura-se, com o apoio da argumentação, observando todos os aspectos da fraternidade e do companheirismo e tal como se depreende dos ensinamentos corânicos, transformar, em perfeita paz e concórdia, os pontos de divergência em pontos comuns.

O que é certo é que cada muçulmano, nas sociedades islâmicas, diante da incredulidade global, deve fazer do princípio corânico «اَشِدّاءُ عَلی الکُفّار، رُحَماءُ بَیْنَهُم» (severos para com os incrédulos, misericordiosos entre si) o eixo de seu pensamento, de sua palavra e de sua ação; é assim que se alcança a unidade e a união islâmicas. Sempre que qualquer das duas partes desta mensagem celestial se afastar da prática dos muçulmanos, eles também se afastarão daquela posição de dignidade que, com justiça, haviam alcançado na Cidade do Islã; e esta é uma regra que não admite exceção.

Esta regra é um dos princípios e mensagens fundamentais da Revolução Islâmica. A realização da primeira Semana da Unidade remonta a Esfand de 1356 do calendário solar hegírico e ao período da luta contra o aparato opressor dos Pahlavi, quando o grande Líder mártir (que Deus eleve sua nobre posição), durante seu exílio em Iranshahr, apresentou essa ideia, que foi acolhida por xiitas e sunitas. Logo após a vitória da Revolução Islâmica, por iniciativa do fundador da República Islâmica, o Imam Khomeini (que Deus santifique seu nobre segredo), a "Semana da Unidade" foi oficializada. Pela graça de Deus Altíssimo, a questão da unidade entre os membros da nação muçulmana tem um exemplo bem-sucedido na nação iraniana, e as conspirações dos inimigos não tiveram grande efeito em maculá-la.

Mas, certamente, os malevolentes estão sempre à espreita desta grande graça. O que lhes dá esperança é realçar as divergências. As divergências doutrinárias e confessionais, embora constituam um aspecto importante do propósito do inimigo do Islã, que muito confia em sua utilização, não lhe bastarão; ele procura transformar toda sorte de diferenças raciais, culturais, sociais, econômicas, políticas e geográficas em pretextos para criar discórdia entre o povo muçulmano no Irã e em qualquer outro país islâmico, para assistir, desse modo, à fragmentação da comunidade do Islã e ao esgotamento de suas forças e, no momento oportuno, impor-lhes sua dominação. A ordem do Nobre Alcorão nesses casos é mencionada no nobre versículo «وَ لا تَنازَعوا فَتَفْشَلوا و تَذْهَبَ ریحُکُم» (e não disputeis entre vós, pois fracassaríeis e vosso vigor se dissiparia) (Alcorão, Al-Anfal 8:46). Portanto, qualquer pessoa, em qualquer posição, que faça algo que leve à divisão entre os muçulmanos e crie disputa na sociedade muçulmana, consciente ou inconscientemente, deliberada ou involuntariamente, terá servido ao propósito dos inimigos do Islã. E como pode alguém, nos dias de hoje, atribuir tal ato à sua ignorância e desatenção, quando os tiranos do mundo, e à frente deles os criminosos Estados Unidos, arrancaram as máscaras enganosas e ocas da face hedionda de seus objetivos colonialistas e de seus planos arrogantes e dominadores, tiraram as luvas de veludo enganadoras e mostraram ao mundo inteiro suas garras ensanguentadas?

Agora é hora de os muçulmanos refletirem e observarem os acontecimentos com mais precisão. Se os muçulmanos fossem uma só mão que cerrasse firmemente o punho, estaria a nação palestina, assim desamparada, sujeita à opressão e aos crimes dos ocupantes? E se as nações e os governos situados às margens do Golfo Pérsico estabelecessem sua união sob a bandeira do Islã, ousariam os patifes sem identidade e corruptos cobiçar, de milhares de quilômetros de distância, suas terras e suas riquezas?

Minha recomendação enfática e reiterada aos governantes dos países islâmicos, especialmente dos países da região da Ásia Ocidental e das margens do Golfo Pérsico, é esta: conhecei vosso verdadeiro inimigo, compreendei seu plano e enfrentai-o. A cura dos problemas da comunidade islâmica é a unidade de palavra, a amizade e a cooperação no caminho do bem e da virtude. Os governantes criminosos dos Estados Unidos e o regime sionista fictício são inimigos jurados dessa união e dessa amizade. Eles não são apenas inimigos da República Islâmica, da nação iraniana e da grande Frente de Resistência Islâmica; são hostis a toda a comunidade do Islã, incluindo as nações da Ásia Ocidental e do Norte da África, e nisso nem mesmo os governantes desses países, muitos dos quais são considerados seus colaboradores, são exceção; assim como o desrespeito público e o uso de expressões grosseiras em relação a alguns chefes de países islâmicos por parte dos líderes da arrogância estão presentes na memória recente de vós e de nós.

A importante lição da união e da ausência de disputa é a primeira lição da escola do Islã quanto à forma de lidar com o inimigo e com o amigo. A segunda lição é a defesa mútua diante da incredulidade, e a terceira, as diversas formas de cooperação e sinergia nas várias questões da vida material e espiritual dos muçulmanos, em termos de riqueza, segurança, ciência e progresso, cujo ponto final será alcançar a nova civilização islâmica. Portanto, a unidade entre os muçulmanos é a pedra fundamental para alcançar a civilização islâmica digna e vitoriosa. Este conjunto conceitual e intelectual, no qual reside a nossa aspiração para o mundo islâmico, concretizou-se, por sua vez, em medida aceitável no querido Irã, e mais uma vez a recomendação deste servidor a cada membro da nação é que de modo algum permitam o surgimento de qualquer divergência entre si.

Por fim, espero que, pela intercessão do Nobre Mensageiro e de sua Família purificada (que as bênçãos e a paz de Deus estejam com ele e com eles), a sombra misericordiosa e abençoada da graça divina se estenda sobre as sociedades islâmicas e que elas, dia após dia, à sombra da obediência aos mandamentos divinos, subam cada vez mais os degraus do progresso e da dignidade.

والسّلام علیکم و رحمة الله و برکاته
Que a paz, a misericórdia e as bênçãos de Deus estejam convosco.
Sayyid Mojtaba Hosseini Khamenei
8 de Shahrivar de 1405
17 de Rabi al-Awwal de 1448